HISTÓRIA DO LAGAR

O Lagar deve o seu nome à fonte da Celorica, fonte que é hoje património público instalada na Estrada Nacional 359 a poucos metros do edifício.

Noutros tempos todos estes terrenos, em redor de Marvão e da propriedade onde hoje se situam as 7Quintas, eram explorados até ao pormenor de modo a poderem dar aos seus proprietários e às suas famílias rendimento suficiente para um ano inteiro.

O Alentejo e esta região em particular sempre foram conhecidos pelo azeite e pela sua azeitona nas diversas variedades que se conhecem. Ainda hoje persistem muitos olivais na região, principalmente em produção não intensiva, com produções de pequena e média dimensão. Muitos destes olivais produziam e ainda hoje produzem o azeite para a família de modo a obter um produto de enorme qualidade para um ano inteiro.

Nesta região sempre foi assim, de tal modo que eram muitos os lagares instalado no concelho. Muitos destes lagares eram propriedade de agricultores com olivais de média dimensão que, por conseguirem mão-de-obra barata, chegavam à conclusão ser mais rentável construir um lagar próprio do que moer a azeitona noutro lagar mesmo que situado perto das suas terras.

Eram tempos em que, como ainda os nossos avós comentam, o dinheiro rendia mais e quem tinha terras e olivais e outro tipo de explorações, fazia dinheiro com as suas lavouras de tal modo que as pessoas com terrenos e negócios se faziam ricos pela forma como geriam os seus negócios e pela forma como o produto das suas explorações era valorizado.

O lagar da Celorica não fugiu a esta regra e como muitos instalados no concelho de Marvão e outros tantos instalados em concelhos vizinhos foi propriedade de senhores com terrenos e com olivais.

Não sendo um dos maiores da região, longe disso, daqui saiu muito e rico azeite para as gentes da terra e para visitantes que cá vinham comprar ouro líquido de enorme qualidade e reduzida acidez.

Testemunhos dizem-nos que o Lagar da Celorica funcionou, pelo menos, entre os anos de 1940 a 1980, não havendo no entanto infelizmente, registo de quantidades de produção.

Conta quem lá trabalhou que era um lagar com enorme procura porque já para a época tinha maquinaria mais avançada do que outros mais antigos e menos produtivos. Ainda assim produzia azeite de enorme qualidade, fruto da aplicação de saberes ancestrais utilizados por homens de sabedoria como eram os mestres lagareiros da região.

Infelizmente, fruto da evolução e fruto de alguma desertificação e abandono de olivais a que a região de Marvão foi sujeita nas décadas de 70 e 80, o lagar da Celorica, como muitos outros, foi abandonado, primeiro simplesmente fechado e abandonado, depois vandalizado e expropriado da maior parte dos materiais e maquinaria.

Aquando da compra, aos actuais proprietário apenas foi entregue um edifício completamente esvaziado de bens depois de anos e anos de abandono e vandalismo.

Restou somente umas das mós, com 3 pedras cónicas onde se moíam as azeitonas de forma a obter uma pasta que depois de aquecida e centrifugada libertava o tão esperado azeite.

Essa mó está hoje perto da entrada do edifício de forma a preservar a memória possível do lagar e da importância que o mesmo representou em tempos idos para a economia do concelho e para a valorização de um dos principais produtos da região.

Por ser impossível de recuperar, os actuais proprietários decidiram então valorizar o imóvel através da uma recuperação de fundo a que o edifício teve de ser sujeito, por culpa do estado de degradação quase total em que se encontrava.

Assim nasce este novo edifício onde se localiza o restaurante 7Quintas, a recepção de hóspedes para os apartamentos, o bar, a loja de produtos da quinta e de produtos da região e a sala de galeria, onde são expostas obras de pintura, escultura, fotografia ou outras formas de arte.

Este é hoje o nosso edifício principal das 7Quintas. É por aqui que passa tudo. É aqui que tudo se encontra. É aqui o nosso bar conhecido por ser o principal business spot da região.

É aqui que a cultura se funde com a gastronomia.

É aqui que os sabores se misturam com os saberes.

É aqui que criámos um local onde gostamos de estar.